“Devemos insistir muito em pedir uma fé viva, uma ardente caridade para nos sustentar no caminho real da cruz” Santa Júlia Billiart, carta 151
Assim como os seguidores de Jesus, as mulheres, os discípulos e os apóstolos, todos os cristãos são convidados ao longo da Semana Santa a fazer o trajeto da extrema doação e entrega de Jesus, momento em que Ele demonstrou apenas amor, apesar de todos os sofrimentos que lhe impuseram.
A Semana Santa inicia com o Domingo de Ramos, no qual Jesus foi recebido com alegria, com ramos ao entrar na cidade de Jerusalém. O povo esperava um Salvador, um Messias guerreiro, um Deus forte. Jesus questiona essa imagem que o povo tem do Salvador. Ao entrar em Jerusalém montado em um jumentinho, e não num cavalo, Jesus está demonstrando que tipo de pessoa Ele é e quem Ele acolhe, ao mesmo tempo que, indiretamente, expressa sua imagem de Deus. O contraste do Domingo de Ramos é essa alegria da multidão ao receber Jesus na entrada da cidade e, dias depois, uma multidão que pede que Jesus seja crucificado, gritando: “Fora com ele, solta-nos Barrabás!” A mensagem da bondade incomodou tanto aqueles que praticavam a maldade que preferiram condenar Jesus à morte e soltar um assassino.
Na Segunda-feira Santa, rezamos a ida de Jesus à cidade de Betânia, onde morava Lázaro, que Jesus havia ressuscitado dos mortos. Maria de Betânia, irmã de Lázaro e de Marta, unge os pés de Jesus, lava seus pés com perfume de nardo e enxuga-os com os cabelos. Judas critica a atitude dessa mulher, diz que é um desperdício gastar todo esse perfume tão caro. Jesus, porém acolhe o gesto de carinho e diz que Maria já o está ungindo em vista da sepultura.
Na Terça-feira Santa, a liturgia nos apresenta o evangelho em que Jesus fica comovido e partilha com os discípulos que estavam à mesa com ele, que um deles iria traí-lo. Pedro pede que o discípulo amado, João, perguntasse a Jesus, quem seria o traidor. Jesus lhe diz que é aquele para quem Ele entregar o pão passado no molho, e o entregou para Judas Iscariotes, que no mesmo instante saiu da sala onde todos estavam. Também na Terça-feira Santa, Jesus anuncia que Pedro irá negá-lo.
Na Quarta-feira Santa, o evangelho nos apresenta Judas negociando 30 moedas de prata para entregar Jesus aos sumos sacerdotes. Também é o evangelho em que Jesus envia seus discípulos para prepararem o lugar onde será a última ceia.
Na Quinta-feira Santa, celebraremos a última ceia de Jesus. Momento em que Jesus celebra a entrega de seu Corpo e de seu Sangue, e utiliza o pão e o vinho para convidar seus discípulos a celebrarem essa sua entrega. Ao final, diz: “Façam isso em minha memória”. É um convite a realizar tudo o que Jesus realizou ao longo de sua vida, acolhendo e amando a todos, inclusive os inimigos. O gesto do lava-pés, narrado pelo evangelista João, é um gesto de serviço, no qual Jesus convida seus seguidores a superar a ideia de querer ser servidos e passar a servir aos outros.
A Sexta-feira Santa é o dia em que não ocorre a missa em nenhum lugar do mundo, pois é o dia em que se reza o sofrimento e a morte de Jesus. Esse dia é um dia de silêncio, de oração, de permanecer junto com Jesus na cruz, de entregar a Deus todos os crucificados pelas situações difíceis da atualidade. Jesus é condenado num julgamento injusto, recebe uma coroação de espinhos, é flagelado, cuspido, insultado e carrega a pesada cruz ao Calvário, onde é crucificado. Antes de morrer, Jesus reza: “Pai, perdoa-os, eles não sabem o que fazem.” Jesus morre na cruz, e depois é sepultado.
Durante o Sábado Santo, Jesus permanece no sepulcro. A noite do sábado é a véspera da ressurreição. Na Vigília Pascal é feita a celebração da luz, na qual o Círio Pascal, que representa o Ressuscitado, é introduzido na igreja. Também nessa noite, na missa, se retoma toda a História da Salvação, até chegar à Ressurreição de Jesus.
O Domingo da Páscoa é a maior festa da Igreja Católica, pois é a celebração da Ressurreição de Jesus. O evangelho desse dia narra a ida de Maria Madalena ao sepulcro de Jesus na madrugada do domingo. Ao encontrar a pedra do sepulcro removida, ela vai depressa avisar os apóstolos Pedro e João, que vão lá correndo e encontram tudo com ela disse e acreditam na ressurreição.
A nossa fé cristã é sempre formada pela Cruz e pela Ressurreição. A Cruz sem Ressurreição seria um fracasso, uma loucura. A Ressurreição sem Cruz, seria um triunfalismo, pensando que só existem as facilidades e negando as dificuldades que precisamos enfrentar para chegar à ressurreição. A nossa fé em Jesus nos mostra que precisamos enfrentar com coragem as nossas cruzes do dia-a-dia, e nos sofrimentos não perder a esperança, pois depois da morte vem a ressurreição.
Rezemos para que saibamos ser seguidores do Senhor, não somente nos momentos de alegria, mas também na hora da Cruz, mas que, principalmente, possamos acreditar firmemente na ressurreição. Nesse sentido, pedimos que o Senhor suscite entre nós mais pessoas disponíveis a atender o seu chamado, chamado de doar-se por amor pela comunidade. Qual será a nossa resposta ao Senhor?
